No dia 2 de setembro, MC Hariel lançou um álbum colaborativo com a Red Bull que apresenta uma proposta totalmente diferente: misturar funk com orquestra.
Esse é um dos melhores álbuns ao vivo de 2026 e, principalmente, um dos trabalhos mais promissores do ano. Hariel consegue misturar o funk com a orquestra de uma forma muito intensa, rica em detalhes e com uma qualidade de som excelente. A orquestra não está ali apenas como um elemento diferente, ela realmente conversa com o funk e ajuda a construir a identidade do projeto.
Liricamente, ele fala muito sobre a vivência na periferia e sobre como é difícil viver nesses lugares, onde é preciso ser muito mais esperto e estar sempre atento para sobreviver. Ele também aborda a questão das drogas e a necessidade de combatê-las, mas, ao mesmo tempo, fala sobre esperança.
E talvez esse seja um dos pontos mais fortes do álbum: mostrar que o funk também é esperança para muitas pessoas que vivem na periferia. É uma cultura que continua sendo ouvida e que continua criando oportunidades, mesmo com tantas tentativas de silenciamento por parte da sociedade, da política e até da polícia.
Para mim, Hariel é um dos artistas mais diferentes dessa nova geração e talvez um dos mais promissores. Ele consegue trazer referências importantes para aquilo que está construindo e, ao mesmo tempo, criar algo que tem a sua própria identidade.
Isso fica muito evidente quando ouvimos referências a artistas como MC da Leste e MC Kevin, nomes que também contribuíram muito para que essa cultura permanecesse forte. Existe uma conexão entre o que foi construído antes e aquilo que Hariel está fazendo agora.
No fim, é um trabalho que mostra como o funk pode experimentar, crescer e ocupar novos espaços sem deixar de ser funk.

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